A pergunta "vale a pena sair da CLT e virar PJ?" costuma ser respondida com uma conta errada: comparar o salário bruto com o valor da nota fiscal. Esses números não são equivalentes.
O que a CLT inclui além do salário
- Férias com adicional de um terço
- Décimo terceiro salário
- FGTS mensal, mais multa em caso de dispensa sem justa causa
- INSS com cobertura previdenciária e por incapacidade
- Aviso prévio e seguro-desemprego
- Eventuais benefícios: plano de saúde, vale-refeição, vale-transporte
Somados, esses itens representam um acréscimo relevante sobre o salário nominal.
O que o PJ precisa bancar sozinho
- Contabilidade mensal
- Impostos sobre o faturamento
- INSS como contribuinte individual, se quiser cobertura
- Reserva própria para períodos sem contrato
- Férias e décimo terceiro autofinanciados
- Equipamento, plano de saúde e demais custos
A conta que faz sentido
Some tudo o que a CLT entrega no ano — salário, férias, décimo terceiro, FGTS e benefícios. Depois calcule quanto você precisaria faturar como PJ para chegar ao mesmo líquido, já descontando impostos, contabilidade e reservas.
O número costuma ser bem maior que o salário original.
O fator não financeiro
PJ não tem estabilidade, não tem seguro-desemprego e depende da própria capacidade de captar clientes. Para quem tem um único contratante, o risco se concentra.
Um alerta importante
Se a relação mantém pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade, há vínculo empregatício independentemente do contrato assinado. A pejotização nessas condições gera passivo trabalhista.
Faça a simulação com números reais antes de decidir. A diferença costuma surpreender nos dois sentidos.