Existe uma frase repetida entre contadores que assusta quem ouve pela primeira vez: empresa não quebra por falta de lucro, quebra por falta de caixa. É verdade, e a diferença merece atenção.
Lucro não é dinheiro em conta
O lucro é apurado pelo regime de competência: a venda entra no resultado quando acontece, mesmo que o cliente pague em 60 dias. O caixa segue o regime financeiro: só registra o que efetivamente entrou.
Uma empresa pode fechar o mês com lucro contábil e sem dinheiro para a folha, simplesmente porque vendeu a prazo e pagou à vista.
O que um fluxo de caixa precisa ter
Não precisa ser sofisticado. Precisa ser consistente:
- Saldo inicial do período
- Entradas previstas, por data efetiva de recebimento
- Saídas previstas, por data efetiva de pagamento
- Saldo projetado dia a dia ou semana a semana
O valor está na projeção
Fluxo de caixa que só registra o passado é extrato bancário com outro nome. O poder está em projetar as próximas semanas e enxergar o aperto antes dele chegar.
Ver com trinta dias de antecedência que faltará dinheiro permite negociar prazo, antecipar recebível ou adiar compra. Descobrir no dia permite apenas pagar juros.
Erros que distorcem tudo
- Misturar despesas pessoais com as da empresa
- Lançar a venda na data da nota, não na do recebimento
- Esquecer despesas anuais, como IPTU, seguro e décimo terceiro
- Ignorar a sazonalidade do próprio negócio
Comece simples
Uma planilha bem alimentada supera qualquer sistema mal utilizado. O que importa é a disciplina de atualizar.
Peça ao seu contador ajuda para estruturar o modelo inicial e definir a rotina de atualização.